
Quando calçava os patins, já gastos e com outra cor que nem sabia identificar, apenas dizia: “Pobres patins, as quedas conseguiram arruinar-te a cor branca e pura”.
Cuidadosamente, colocava o macio fato, com as minhas estrelas amarelas que me faziam brilhar enquanto deslizava. A cabeleireira de serviço minuciosa, penteava-nos como rainhas e eu sonhava e sonhava. Mas, quando me levantava e contemplava a multidão e os juízes, interiormente nascia uma tempestade de emoções, e só pensava “O que faço? E se falhar? Que vergonha, sou péssima!”.
Por fim, ressoava pelo pavilhão: “...., do Parede Futebol Clube”.
Meia confiante, meia nervosa, deslizava pelo ringue e era nessa mesma altura que tudo à minha volta desaparecia, era eu e os meus patins em paz e tranquilidade.
A música ecoava-me na cabeça e a coreografia soltava-se, era tudo tão belo, sentia-me a voar. Enquanto me mantinha centrada em mim e na música não pensava no que me rodeava. Finalmente a realidade atingia-me, estava em competição e os erros assomavam.
Fugi. Fugi do nervosismo, do desgaste emocional que me atormentava cada vez que era obrigada a voltar ao mesmo ambiente de pressão. Chegou o dia em que fui capaz de deitar tudo para trás, a minha imagem de Patinadora chegara ao seu fim depois de 4 anos.
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