
Sentada no parapeito da janela, olhar fixo no céu, em todo aquele esplendor, perco-me em memórias bem guardadas e relembro as imagens que me fazem lutar por mais e mais.
Regresso ao passado e descrevo aquela paisagem ao pormenor como se fosse hoje.
Pouco passava das 18h30, e encontrava-me sozinha, naquela praia imensa, onde restavam já tão poucas pessoas. Junto à beira-mar, olhava fixamente para toda aquela imensidão e ouvia o quebrar das ondas nos penedos. Não podia ser mais perfeito, mas faltavas tu, a pessoa que me fazia gritar ao céu o quanto apaixonada estava.
Breves instantes depois, deparei-me contigo, sentaste-te ao meu lado e puxaste-me para bem junto de ti. Não queria mais sair daquele paraíso, nós os dois num só a contemplar tanta beleza natural.
Enterrávamos os pés na areia fina, enquanto que o Sol se reflectia no mar, tornando-o avermelhado, espalhando uma magia infinita. O ar estava quente, mas uma leve brisa soprava como murmúrios melancólicos, acariciando os nossos corpos e alma.
Em junção a este magnifico pôr-do-sol, as nuvens formavam um belo leque em volta do Sol com múltiplas cores quentes de aconchego.
Era o sítio perfeito, na hora exacta para casais apaixonados passearem e deixarem fluir os seus sentimentos, juntando tudo num só, como um retrato.
No presente, sempre que percorro a praia e deslumbro o pôr-do-sol, fico à espera que venhas e que vivas o mesmo sonho comigo. Desistindo, fico bem quieta na minha solidão a ver-te voar alto no céu com a promessa de que um dia estarei contigo.
Abro a janela, exponho a minha cabeça, fecho os olhos e sinto o cheiro a maresia, o vento a acariciar-me, lágrimas correm e volto a olhar em frente, a paisagem voltou para mim e por ti.
Textos guardados naquele bau longiquo. 21-01-08
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